Quando em 2006 a Bertelsmann, o maior grupo editorial do mundo, adquiriu a cadeia de livrarias Bertrand e a editora com o mesmo nome - via Círculo de Leitores - mudança passou a ser palavra de ordem. Nos livreiros e nos funcionários de loja foi criada, entre outras, a expectactiva de verem aumentados os seus miseráveis salários. Pouco tempo após a transacção, começou a correr que os alemães teriam feito um mau negócio, o buraco financeiro da Bertrand teria sido engenhosamente embelezado. O representante da Bertlesmann nas negociações para a aquisição do grupo português e, salvo erro, à data, presidente do Círculo de Leitores acabaria afastado. Chegaram mágicos da gestão vindos de Espanha. Os livreiros e os funcionários de loja viram o volume de trabalho aumentar, viram o número de colegas de trabalho diminuir e viram a manutenção dos seus miseráveis salários.
A iniciativa de levar os livros do Círculo ao acesso massivo nas livrarias do grupo, que exigiu grande investimento, meses depois da sua implementação termina vergonhosamente.
A cadeia livreira expande-se para o país vizinho.
A nível editorial, o grupo adquire e concentra escritores e editoras ditos comerciais, o que levou a uma transformação na índole do negócio do livro em Portugal. Outros grupos, alguns sem qualquer ligação à área, compram e aglomeram algumas das chancelas mais importantes e necessariamente comerciais. As mais pequenas que resistem à novidade, muitas delas de referência, têm de lutar com ainda mais dificuldades para furar os impérios que entretanto ditam novas leis. Os mágicos da gestão vindos de Espanha partiram.
Que a Bertlesmann se iria livrar dos "activos tóxicos" portugueses já era há muito esperado, só faltava mesmo saber quando avançariam.